sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

sete cadeados e zero chaves

Sento-me mais uma vez no sofá em frente ao computador depois de mais um dia de escola, boas memórias trabalho e alguns cigarros e quês para ajudar a (ultra)passar este dia. Foi mais um dia em que ergui o queixo e sorri. Simplesmente. Como se nada deste dia me afectasse, como se tudo o que tenho hoje foi tudo o que sempre quis ter, ganho sem a maior das dificuldades. Como se não tivesse estes 7 cadeados em mim. Cadeados que fechei à 10 anos, cadeados sem chave, fechados para nunca mais serem abertos. Cadeados que tentei abrir a força, cadeados em que confiei demasiado e me arrependi, mas cadeados que não consigo abrir... Não consigo... Nem sei se quero, sinceramente. São cadeados com fantasmas negros fechados dentro deles, fantasmas que me vão acompanhar até ao dia do meu adeus, fantasmas que tento não recordar mas que se tentam soltar à noite, na solidão e escuro do quarto e o aconchego dos lençóis. Fantasmas que me dominam, que tomam conta de mim, tomam conta do meu ser, da minha maneira de ser e principalmente, tomam conta da minha alma. Fantasmas que me rasgaram um sorriso para que nunca saísse, estivessem eles a tentar soltar-se ou adormecidos. E é por isso que me sento neste sofá, em frente deste computador, e reflicto se existirá alguém que me conheça de verdade, será que haveria alguém capaz de entender todos estes fantasmas que me atormentam? Se nem eu sou capaz de os controlar como serão eles capazes de os entender ao ponto de os adormecer para sempre? Não acredito que haja alguém capaz disso, talvez por esses mesmos fantasmas me terem ensinado em não confiar em ninguém.